Música que compus pra Luana, minha filha:
Sonho de Menina
Um sonho de menina
Uma rosa que veio do céu
Ela é doce como um beijo
E o mais puro favo de mel
Linda como um pôr do sol
Uma rara luz na manhã
A menina dos meus sonhos
Navega nos mares do amor
Amor
Quando chega ao anoitecer
ela se aconchega em mim
pede a benção dá um beijo
e sonha com um lindo jardim
o jardim da esperança
de um futuro que em breve virá
sua vida será linda
como todas as cores do mar
sexta-feira, 30 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Definição do Amor
O Amor é pra ser vivido, sentido e não discutido...
Tem que ser a verdadeira chama da alma e não a brasa sob seus pés...
A mais pura declaração de desapego, pois quando você ama, você abre mão até de si mesmo...
Não pode ter vencedor nem perdedor, já que não é uma disputa...
Deve ser vivido entre as duas partes, sem falsas exposições, nem como cena de um teatro saltimbanco...
Quem nunca amou não sabe de verdade qual é o aroma das noites frias de inverno, nem sabe cantar sem se preocupar com a afinação...não sabe o que é dizer "Yes" e socar o ar na frente do computador...não sabe a razão de existir tantos jardins pelas casas...Não sabe o que é escrever um verso e depois admirá-lo....Não consegue imaginar o que significa o violão para um compositor....
...
Tem que ser a verdadeira chama da alma e não a brasa sob seus pés...
A mais pura declaração de desapego, pois quando você ama, você abre mão até de si mesmo...
Não pode ter vencedor nem perdedor, já que não é uma disputa...
Deve ser vivido entre as duas partes, sem falsas exposições, nem como cena de um teatro saltimbanco...
Quem nunca amou não sabe de verdade qual é o aroma das noites frias de inverno, nem sabe cantar sem se preocupar com a afinação...não sabe o que é dizer "Yes" e socar o ar na frente do computador...não sabe a razão de existir tantos jardins pelas casas...Não sabe o que é escrever um verso e depois admirá-lo....Não consegue imaginar o que significa o violão para um compositor....
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
O Italiano apaixonado..
Entón amore, me escuta um minuto e non vou mais incomodar voce, perque passo o dia pensando em ti e non penso nem mais em mim...non sei mais...
Io sinto no mio corazón toda a tristeza que foi reservada neste mundo para uma pessoa, desde o dia que voce foi embora, tutto ficou vazio, sem cor, sem cheiro, sem beijo, sem vida...
Io non posso mai nem pensar em passar lá perto do rincón, porque era lá que a gente sentava perto da macieira e ficava conversando, lembra das flores que amassamos? Depois plantamo tutto di novo. Io penso que é una maldiçon, perque quando fui lá sozinho, depoi que voce foi embora, aquelas malditas flores parece que passaram a ter vida própria! Parece que sabem da minia tristeza e ventam bem devagarinho, exalando aquele perfume que me lembra voce! Nessa hora, elas fazem de tudo pra exalar mais forte, só pra me deixar ainda mais embriagado....
Dio santo que me perdoe, ma quando Dios criou a música, deve ter pensado "agora vou inventar um jeito de machucar ainda mais esses corações apaixonados". Parece que quando escuto as nossas canções, que os acordes tomam forma de adagas e vêm uma atrás da outra acertando em cheio mio corazon...cada frase dita parece que foi feita pra celebrar a minha tristeza...Mio tempo mudou tamben...fico vagando até a hora do angelus, às seis horas, (o rádio continua te esperando..)...depoi quando chega a noite, eu non durmo, fico lembrando dos nossos momentos antes de se deitar, dos sorrisos, dos olhares...a aí então a noite se repete...noite de xícaras jogadas pelo chão... de janela embaçada...de travesseiro molhado de lágrimas...de pápéis amassados...canetas roídas nas pontas...restos de sentimentos... vida que se esvai por entre os dedos...um crucifixo quebrado com as contas jogadas por baixo da cama, um corpo estendido em cima dela..inerte...io nen quero mesmo que voce leia essa carta...tomara que eu consiga jogar fora quando passar por cima da ponte do riozinho...
Io voi agora lá na venda...onde tinha aquele doce de morango que voce tanto gostava...agora compro o pote e fico sentado na frente da lareira olhando pra ele...quando chega perto da hora de tomar o café da manhã eu jogo ele na lareira...e fico vendo até o vidro estourar...daí quando suja o tapete eu fico ajoelhado ajuntando os pedacinhos...quando um pedacinho de vidro entra na minha mão eu esboço um sorriso, quando o sangue escorre eu sorrio...e lembro que estou vivo...
Io sinto no mio corazón toda a tristeza que foi reservada neste mundo para uma pessoa, desde o dia que voce foi embora, tutto ficou vazio, sem cor, sem cheiro, sem beijo, sem vida...
Io non posso mai nem pensar em passar lá perto do rincón, porque era lá que a gente sentava perto da macieira e ficava conversando, lembra das flores que amassamos? Depois plantamo tutto di novo. Io penso que é una maldiçon, perque quando fui lá sozinho, depoi que voce foi embora, aquelas malditas flores parece que passaram a ter vida própria! Parece que sabem da minia tristeza e ventam bem devagarinho, exalando aquele perfume que me lembra voce! Nessa hora, elas fazem de tudo pra exalar mais forte, só pra me deixar ainda mais embriagado....
Dio santo que me perdoe, ma quando Dios criou a música, deve ter pensado "agora vou inventar um jeito de machucar ainda mais esses corações apaixonados". Parece que quando escuto as nossas canções, que os acordes tomam forma de adagas e vêm uma atrás da outra acertando em cheio mio corazon...cada frase dita parece que foi feita pra celebrar a minha tristeza...Mio tempo mudou tamben...fico vagando até a hora do angelus, às seis horas, (o rádio continua te esperando..)...depoi quando chega a noite, eu non durmo, fico lembrando dos nossos momentos antes de se deitar, dos sorrisos, dos olhares...a aí então a noite se repete...noite de xícaras jogadas pelo chão... de janela embaçada...de travesseiro molhado de lágrimas...de pápéis amassados...canetas roídas nas pontas...restos de sentimentos... vida que se esvai por entre os dedos...um crucifixo quebrado com as contas jogadas por baixo da cama, um corpo estendido em cima dela..inerte...io nen quero mesmo que voce leia essa carta...tomara que eu consiga jogar fora quando passar por cima da ponte do riozinho...
Io voi agora lá na venda...onde tinha aquele doce de morango que voce tanto gostava...agora compro o pote e fico sentado na frente da lareira olhando pra ele...quando chega perto da hora de tomar o café da manhã eu jogo ele na lareira...e fico vendo até o vidro estourar...daí quando suja o tapete eu fico ajoelhado ajuntando os pedacinhos...quando um pedacinho de vidro entra na minha mão eu esboço um sorriso, quando o sangue escorre eu sorrio...e lembro que estou vivo...
segunda-feira, 12 de abril de 2010
El Serjon... Domingo no Parque!
Sabe aqueles dias que voce não quer sair de casa?
O cara acorda ressaqueado, tomou uma garrafa de uísque num show uma noite antes, acordou ruim às 13h..
A Mulher diz:
- Amor! Vamos passear no passeio público? Faz tempo que não vejo macaquinhos...
Imagine a cena:
O cara puto, pleno Domingo à tarde, calça jeans limpinha, encosta pra ver os pássaros.
Em cima da árvore um "Flamingo" de acordo com ele. O bicho vira a bundinha pro lado do Serjon e... téim! Certinho! Cabeça do Sérjon! Aquelas de lavar a alma, pelas proporções e pela quantidade de material desferido pelo canal do bicho, com certeza o flamingo tinha estado ressecado nos últimos quinze dias.
Roupa suja, o cara esbravejando, com certeza a mulher se rachando de rir...e Domingo!
Pior pra um cara que estava ao lado do Serjon, o maldito do flamingo conseguiu acertar dentro do pacote de pipoca da figura!!
Frase do próprio Serjon: "É errado os pássaros ficarem soltos no passeio público!!"
Acho que o pássaro deve ter se recuperado da crise de riso há pouco tempo Serjon! Igual a mim!
E outro amigo completa: Conheço um cara que é a zica em pessoa, atrai tudo que é encrenca...
O cara vem andando pela XV de Novembro, próximo da C&A, sente uma pancada em cima da cabeça e desmaia...quando acorda, um policial pergunta se está tudo bem, essas coisas, ele fala:
- Fui atingido na cabeça por alguém!
O guarda pede pra ele olhar pro lado.
Lá ao seu lado estava estirado, morto e estatelado, um "urubu", que deve ter sentido um mal súbito, uma queda de pressão quem sabe e como não conseguiu arremeter, atingiu em cheio a extremidade superior da cabeça do indivíduo...
Pensou? Ser atingido por um urubu que simplesmente "caiu do céu", com centenas de pessoas à sua volta, bem em você?
O vendedor de emoções
O que voce vende?
Eu vendo emoções!
E quanto custa?
Quanto voce pagaria por sentir as emoções que mais lhe agradam?
Não sei...quem sabe pagaria com um dia da minha vida!
Tenho uma idéia melhor, que tal me pagar com sua emoção?
Como assim?
Deixe eu vivê-la com voce!
Deixe eu fazer parte dessa emoção
A única emoção que posso deixar voce sentir é a saudade
De um tempo que não veio...de algo que não aconteceu
Nem irá acontecer e nem chegar...
Saudades de algo que nunca existiu e nem nunca irá existir
Essa emoção irá te acompanhar pelo resto da tua vida...
O que poderia ter acontecido, mas não aconteceu..
Culpa tua? Não...culpa minha? Não...
Culpa do destino?
O destino não erra...
Sem culpa, só não aconteceu e nunca irá acontecer...
Fique com saudades...
Eu vendo emoções!
E quanto custa?
Quanto voce pagaria por sentir as emoções que mais lhe agradam?
Não sei...quem sabe pagaria com um dia da minha vida!
Tenho uma idéia melhor, que tal me pagar com sua emoção?
Como assim?
Deixe eu vivê-la com voce!
Deixe eu fazer parte dessa emoção
A única emoção que posso deixar voce sentir é a saudade
De um tempo que não veio...de algo que não aconteceu
Nem irá acontecer e nem chegar...
Saudades de algo que nunca existiu e nem nunca irá existir
Essa emoção irá te acompanhar pelo resto da tua vida...
O que poderia ter acontecido, mas não aconteceu..
Culpa tua? Não...culpa minha? Não...
Culpa do destino?
O destino não erra...
Sem culpa, só não aconteceu e nunca irá acontecer...
Fique com saudades...
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Amor, Emoções e Rock and Roll IV
A rodoviária naquele horário estava um tanto vazia, os bancos mais gelados que costumeiramente, como se o frio fosse protagonista daquela cena de despedida. Despedida de ninguém, sem aceno, sem lágrimas, sem sorrisos. Uma parte de seu passado ficava pra trás e a partir daquele momento ele nunca mais seria o mesmo. Quando voltasse já não mais seria “o filho da dona Norma”, seria conhecido e lembrado em cada canto. Até nos botecos os bêbedos mais deselegantes diriam com orgulho de terem o conhecido pequeno e muitos ainda jurariam serem o próprio padrinho do batizado de igreja do rapaz.
Seus pensamentos volitavam sem destino e sem porto de chegada, viajavam no passado e no futuro, reminiscências de tempos bons e ruins, de saudades, de lembranças que seria melhor se tivessem sido apagadas com o sopro do tempo, sem justiça e sem perdão.
Lembrou do banho de chuva tomado há cinco anos atrás, ele e Roque, seu amigo desde os tempos de escola, voltando da casa do Roger, amigo que tinha todos os discos antigos que gostava. A chuva os tomou por assalto, pensaram em correr, mas o sentimento de felicidade plena, sem motivo, pairava no ar e decidiram somente caminhar. A chuva era torrencial, como que beijando seus rostos, lavando as vicissitudes de suas almas. Sorriam pelo fato de ser, existir, estar. Desejavam que aquele momento nunca mais terminasse, que o tempo fosse pausado e pudessem prosseguir quando quisessem. Naquele momento eram abençoados com a coroa dos não-sérios, dos loucos que perambulam pelas ruas e se permitem serem felizes sem se adequar a nenhuma regra ou convenção, dos que realmente fazem a roda do mundo girar, daqueles que não procuram e sempre encontram, dos corajosos que não temem olhares julgadores, de quem sabe que a vida é um eterno teatro sem platéia, onde somos diretores e protagonistas, onde escolhemos o restante do elenco, numa apresentação que reúne drama, comédia, tragédia e principalmente as experiências que tivemos no decorrer dos dias, que iremos passar pros nossos filhos, que irão passar pros seus filhos, que irão passar pros..... Aí ficava o verdadeiro embate de suas idéias, ser o exemplo idealizado e imposto pela sociedade, corroborando com os padrões de regras inconsciente e previamente estabelecidas ou partir para o mundo real, o mundo que poucos conhecem, dos sonhos impossíveis, dos artistas e dos autistas, a vida como ela não deve ser, das frases sem aparas, dos beijos sem tempo nem medida, o mundo de quem nunca foi e nem nunca será!
A chuva cessou...não seus sentimentos, as lembranças ficaram pra sempre.
Dias depois Roque rompeu seu cordão de prata ao colidir sua bicicleta... como qualquer um que morre foi egoísta e deixou seu amigo chorando, só para confirmar as promessas dos padres e das religiões...
O ônibus encostou e deu tempo dele enxugar uma última lágrima, que escorria em direção ao seu lábio.
Seus pensamentos volitavam sem destino e sem porto de chegada, viajavam no passado e no futuro, reminiscências de tempos bons e ruins, de saudades, de lembranças que seria melhor se tivessem sido apagadas com o sopro do tempo, sem justiça e sem perdão.
Lembrou do banho de chuva tomado há cinco anos atrás, ele e Roque, seu amigo desde os tempos de escola, voltando da casa do Roger, amigo que tinha todos os discos antigos que gostava. A chuva os tomou por assalto, pensaram em correr, mas o sentimento de felicidade plena, sem motivo, pairava no ar e decidiram somente caminhar. A chuva era torrencial, como que beijando seus rostos, lavando as vicissitudes de suas almas. Sorriam pelo fato de ser, existir, estar. Desejavam que aquele momento nunca mais terminasse, que o tempo fosse pausado e pudessem prosseguir quando quisessem. Naquele momento eram abençoados com a coroa dos não-sérios, dos loucos que perambulam pelas ruas e se permitem serem felizes sem se adequar a nenhuma regra ou convenção, dos que realmente fazem a roda do mundo girar, daqueles que não procuram e sempre encontram, dos corajosos que não temem olhares julgadores, de quem sabe que a vida é um eterno teatro sem platéia, onde somos diretores e protagonistas, onde escolhemos o restante do elenco, numa apresentação que reúne drama, comédia, tragédia e principalmente as experiências que tivemos no decorrer dos dias, que iremos passar pros nossos filhos, que irão passar pros seus filhos, que irão passar pros..... Aí ficava o verdadeiro embate de suas idéias, ser o exemplo idealizado e imposto pela sociedade, corroborando com os padrões de regras inconsciente e previamente estabelecidas ou partir para o mundo real, o mundo que poucos conhecem, dos sonhos impossíveis, dos artistas e dos autistas, a vida como ela não deve ser, das frases sem aparas, dos beijos sem tempo nem medida, o mundo de quem nunca foi e nem nunca será!
A chuva cessou...não seus sentimentos, as lembranças ficaram pra sempre.
Dias depois Roque rompeu seu cordão de prata ao colidir sua bicicleta... como qualquer um que morre foi egoísta e deixou seu amigo chorando, só para confirmar as promessas dos padres e das religiões...
O ônibus encostou e deu tempo dele enxugar uma última lágrima, que escorria em direção ao seu lábio.
Amor, Emoções e Rock and Roll III
Quando chegou na rodoviária, desceu sem rumo. Um trocado pro velho aleijado. Um café, derramou um pouco na blusa...isso o iria acompanhar por toda a vida. Iria escolher um destino. Sabia que a partir de agora, sua vida dependeria desse destino. Sentou num banco e ficou olhando. Uma cigana se aproximou e pediu pra ler sua mão. Ele estendeu a mão e ela praticamente não tocou em sua mão. Disse: O seu destino foi traçado no mar! No dia em que sua mãe prometeu você pra Deus! Pode tentar se afastar do seu destino, correr, fugir. Mas vai perseguir você pra sempre. Ande por todos os lugares deste mundo e teu destino vai te seguir. Voce sabe do que se trata. Só uma coisa, lembre que o seu único inimigo, aquele que pode te derrubar, é o medo que você tem dentro de si. Medo do seu destino. Medo de você mesmo!
Ficou lembrando de seu passado. Deu risada sozinho daquele domingo de páscoa, inesquecível...
Morava numa rua tipicamente de subúrbio. Toda de paralelepípedos com jardins na frente das casas. Havia milhares de cachorros e pássaros em grande quantidade. Já estava perto de completar vinte e cinco anos e todos achavam que eu nunca iria se casar e na verdade nem queria mesmo, preferia namorar e se divertir sozinho, a propósito, sempre gostou muito de sua própria companhia, sempre se sentiu muito à vontade consigo mesmo e dava muitas risadas sobre suas afunações (imaginar as pessoas cometendo atos ridículos).
Naquela manhã de Domingo ele estava jogando futebol com os meninos na rua, quando de relance sentiu algo passar muito próximo de sua orelha direita e pasmem, seja lá o que for que tenha passado por ali tinha um cheiro ótimo! O objeto seguiu sua trajetória e atingiu em cheio as canelas de um dos meninos da rua. Viram que o tal objeto era nada mais nada menos que um frango! E pior, um frango assado, com direito a farofa, palito de dente e tudo o mais. Um vizinho, o Valdéra, vendedor de frango assado teve uma discussão com sua mulher por causa dela ter derrubado a “birita” dele propositadamente, ele pegou o primeiro objeto que viu, nesse caso um frango, e arremessou com toda força em sua direção, a mulher se abaixou e o dito cujo voou pela janela, passou por ele e atingiu o moleque. Não lembrava de outro dia que tenha dado mais risada que esse... o piá levou uma frangada nas pernas e caiu de frente, riu até sentar. E depois ainda deu briga de cachorros por causa do frango despedaçado...
Levantou e foi até um guichê, o primeiro que viu e pediu:
- Uma passagem, por favor!
- Pra onde, filho?
- ....
- Pra onde filho?
Ele olhou pra placa em cima do homem e entre várias cidades leu, São Paulo.
- O primeiro que tiver, pra São Paulo!
Amor, Emoções e Rock and Roll II
Acordou num dia de sol, ano de 1985, colocou uma fita k7 do Rod Stewart no 3 em 1, não sabia o porquê, mas o brilho do sol era muito mais intenso naquela época, a vida tinha uma outra cor.
Levantou sem muita pressa, tomou um café com bolacha Maria e foi caminhar.
Na rua um opala passou sem pressa alguma e logo depois viu uma Brasília cheio de rapazes indo para a festa da igreja.
Passou por uma ponte, por cima da valeta e entrou na casa do Ivan, que estava como sempre com o portão aberto.
Lá dentro um cheiro maravilhoso do bolo de fubá que sua mãe fazia no fogão de lenha.
- Bom dia Dona Irene!
- Bom dia menino. O Ivan está no quarto dele, pode entrar.
Ele estava escutando um LP do Ray Coniff e cuidando de suas figurinhas do Zequinha.
- Senta aí.
Sentou naquele lençol azul todo desenhado e ficou olhando as figurinhas: “Zequinha repórter”, “Zequinha na Santos Andrade”...
Falou:
- E então Ivan, vamos jogar bola? A pracinha já está cheia da piazada!
- Não sei...eu prometi pro Adriano que iria soltar raia com ele hoje.
- Ah...vamos? Minha mãe me deu dinheiro pra tomar um dolé!
- pode ser...você vai levar a bola de capotão?
- vou. Olha, vou jogar com meu kichute novo!
- Caramba! Novinho! Tua mãe deixou?
- Ela disse que desde que eu lave no tanque pra ir à escola segunda não faz mal.
Os dias passavam numa velocidade diferente, as pessoas tinham outro ritmo.
As cores eram mais vibrantes e até a fragrância no ar, aquele cheiro do chá tarde entorpecia.
Os pais ainda ficavam olhando seus filhos brincarem e os filhos ainda gostavam de ficar perto dos pais.
Vizinhos reuniam-se nas ruas no entardecer. Nas tardes de verão, a cumplicidade era geral.
As crianças brincavam nas ruas até tarde da noite e quando entravam ainda ganhavam um sorriso e um comentário: - Brincou hoje em meu fiho? Toma um banho e vem comer que já vai começar o “Bem Amado”.
Nos Domingos o costume era a macarronada no jantar com os pedaços de churrasco que sobraram requentados na frigideira, a maionese quase branca e claro, os Trapalhões, nos dias em que o Didi se vestia de mulher, imitando a Joana ou a Maria Bethânia o riso era geral. Depois não podia perder a zebrinha do Fantástico e por último antes de dormir pedir a benção para a mãe e para o Pai. Tinha o costume de dormir virado para o lado do quarto deles.
O Sábado era todo especial.
Acordar com o som de agepê, as irmãs encerando o chão. ÊÊÊ menina dos cabelos longos...
As samambaias pareciam que sabiam que era sábado e ventavam transmitindo vida.
O pai enchendo o pneu da bicicleta: Pega a bomba guri.
A mãe no tanque e na cozinha ao mesmo tempo, cheiro de Qboa numa mão e de tempero de feijão na outra. Filho: Vê se não come essa 7 belo antes do almoço e o cigarrinho de chocolate guarda pra amanhã que vem teu primo. O iogurte era sagrado na hora do sítio do pica-pau amarelo.
Filho, traz a tábua do tanque pra mim e me ajuda a lavar o Bamba senão segunda você vai de sandália pra escola!
Cresceu ouvindo Sailing do Rod Stewart. Ficava olhando pela janela a chuva que caía lá fora, a fumaça que saía da boca formava figuras na vidraça, ficava marcada com a lã da touca que a mãe fazia.
O inverno em Curitiba sempre foi maravilhoso. Falar e sair fumaça da boca era o máximo. Depois respirar o ar gelado da manhã quando ia pra escola. Os bancos gelados, escrever com luva era uma dificuldade. Compensava e muito o lanche, macarrão com almôndegas naquele copo azul de plástico.
O único pensamento naquela época era brincar. Ouvir música e brincar.
Desde pequeno tinha uma queda enorme pela música, desde roberto, passando por Beatles e tudo mais que se ouviu nos 80, a última geração de felicidade que existiu naquela cidade. E foi exatamente a música a responsável por tudo em sua vida, as tristezas e a felicidade.
Amor, Emoções e Rock and Roll
Pontal do Sul - Sete horas da manhã - O começo de tudo
Ele não tinha destino, nem mesmo quando deixou sua cidade sabia aonde iria parar. Se é que queria parar.
Foi andando pela linha do trem e sentia o aroma forte de café vindo das casas ribeirinhas dos trabalhadores da estiva.
Seu pensamento era só um, deixar tudo pra trás e começar a viver.
Tinha nos bolsos alguns trocados e nenhum documento. Uma mochila com duas mudas de roupas e um pacote de bolachas.
No peito carregava a coragem dos vitoriosos, dos homens que são mais que homens de dias comuns, fazia parte daqueles que não temiam o mundo, dos que vieram para conquistar e não para ser esquecido.
O dia ainda não tinha amanhecido quando chegou à estação.
Sentiu a liberdade aflorando, afinal naquele momento poderia fazer o que quisesse e ir pra onde desejasse, sem ter que explicar a alguém ou telefonar, dar qualquer sinal.
A partir daquele momento era um homem livre dentro de si mesmo e ele mal podia se conter com essa emoção.
Começou a andar pelas ruas e pela primeira vez observava que nas ruas ainda tinham pássaros e que podia após tantos anos ouvir seu canto.
Reparou num velho sentado na mesma cadeira de 20 anos atrás, desde quando ele era criança via aquele homem. E lembrou de nunca ter visto emoção alguma naquela face. O Velho fez tudo certo, criou os filhos, trabalhou, amou sua mulher, mas agora nada mais é preciso. Só basta esperar. Esperar o dia de partir, do choro dos filhos, lágrimas penosas em cima de um corpo que será esquecido na primeira primavera que vier, lembrado em dias festivos somente pelos mais chegados. A mulher dele irá se sentar naquela cadeira e será a vez dela esperar. E ela irá esperar com certo prazer disfarçado.
Seus pensamentos foram dispersos quando lembrou de que o mesmo poderia acontecer com ele, seria fácil, bastava sentar e esperar.
Olhou mais uma vez em direção ao sol e lembrou que para ele o brilho era mais intenso do que para o resto das pessoas e aquele brilho iria levá-lo a lugares nunca imaginados.
Sentia uma amargura em deixar a cidade onde viveu toda a sua vida, ao mesmo tempo em que desejava atravessar mares, montanhas, conhecer pessoas e lugares.
Pela última vez passou em frente à casa de sua primeira e única namorada. Lá dentro a luz já acesa indicava que ela ia cumprir seu destino, dar aulas na única escola da cidade. Lembrou de quando segurou em sua mão pela última vez e disse que poderia aguardar seu pai autorizar o namoro para sempre. Passaram anos, o homem morreu, ela se casou com o barbeiro e seus sonhos foram desviados. Para o bem dele o destino não deixou que ficassem juntos, pois ele perderia toda emoção que a vida reservava para ele e provavelmente mais tarde ele estaria também sentado numa cadeira na varanda...esperando...
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