quinta-feira, 1 de abril de 2010
Amor, Emoções e Rock and Roll III
Quando chegou na rodoviária, desceu sem rumo. Um trocado pro velho aleijado. Um café, derramou um pouco na blusa...isso o iria acompanhar por toda a vida. Iria escolher um destino. Sabia que a partir de agora, sua vida dependeria desse destino. Sentou num banco e ficou olhando. Uma cigana se aproximou e pediu pra ler sua mão. Ele estendeu a mão e ela praticamente não tocou em sua mão. Disse: O seu destino foi traçado no mar! No dia em que sua mãe prometeu você pra Deus! Pode tentar se afastar do seu destino, correr, fugir. Mas vai perseguir você pra sempre. Ande por todos os lugares deste mundo e teu destino vai te seguir. Voce sabe do que se trata. Só uma coisa, lembre que o seu único inimigo, aquele que pode te derrubar, é o medo que você tem dentro de si. Medo do seu destino. Medo de você mesmo!
Ficou lembrando de seu passado. Deu risada sozinho daquele domingo de páscoa, inesquecível...
Morava numa rua tipicamente de subúrbio. Toda de paralelepípedos com jardins na frente das casas. Havia milhares de cachorros e pássaros em grande quantidade. Já estava perto de completar vinte e cinco anos e todos achavam que eu nunca iria se casar e na verdade nem queria mesmo, preferia namorar e se divertir sozinho, a propósito, sempre gostou muito de sua própria companhia, sempre se sentiu muito à vontade consigo mesmo e dava muitas risadas sobre suas afunações (imaginar as pessoas cometendo atos ridículos).
Naquela manhã de Domingo ele estava jogando futebol com os meninos na rua, quando de relance sentiu algo passar muito próximo de sua orelha direita e pasmem, seja lá o que for que tenha passado por ali tinha um cheiro ótimo! O objeto seguiu sua trajetória e atingiu em cheio as canelas de um dos meninos da rua. Viram que o tal objeto era nada mais nada menos que um frango! E pior, um frango assado, com direito a farofa, palito de dente e tudo o mais. Um vizinho, o Valdéra, vendedor de frango assado teve uma discussão com sua mulher por causa dela ter derrubado a “birita” dele propositadamente, ele pegou o primeiro objeto que viu, nesse caso um frango, e arremessou com toda força em sua direção, a mulher se abaixou e o dito cujo voou pela janela, passou por ele e atingiu o moleque. Não lembrava de outro dia que tenha dado mais risada que esse... o piá levou uma frangada nas pernas e caiu de frente, riu até sentar. E depois ainda deu briga de cachorros por causa do frango despedaçado...
Levantou e foi até um guichê, o primeiro que viu e pediu:
- Uma passagem, por favor!
- Pra onde, filho?
- ....
- Pra onde filho?
Ele olhou pra placa em cima do homem e entre várias cidades leu, São Paulo.
- O primeiro que tiver, pra São Paulo!
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